O Lixo e o Meio Ambiente - Panorama Nacional

Gestão de Resíduos Urbanos: O Cenário Brasileiro

No Brasil, observou-se na década de 90 o descasamento entre o ritmo de crescimento da população e a geração de resíduos urbanos, com uma das conseqüências do aumento do consumo observado após o Plano Real.  Segundo o IBGE, entre 1991 e 2000, a população cresceu 15% enquanto a coleta de resíduos urbanos evoluiu 49%, atingindo a marca de  150 mil toneladas/dia.

A Pesquisa Nacional de Saneamento Básico 2000 aponta a existência de coleta regular do lixo em quase 99% dos Municípios brasileiros. No entanto, a evolução observada nos sistemas de coleta de resíduos urbanos não vem encontrando correspondência na destinação final dos resíduos coletados: segundo o ‘Panorama de Resíduos Urbanos no Brasil – 2002’, do Ministério das Cidades, 59% dos resíduos são destinados de forma inadequada em lixões, aterros irregulares, rios e alagados.

Até mesmo a parcela do lixo urbano cuja a destinação final é considerada adequada pelo IBGE  – 29% em aterros sanitários e aterros controlados –gera dúvidas no âmbito do próprio governo. No mesmo documento o próprio Ministério reconhece que “ ...a diferenciação entre o que seja um aterro sanitário, um aterro controlado ou até mesmo um lixão não é reconhecida por vários segmentos sociais nem tampouco por alguns técnicos responsáveis pelos serviços nos municípios.”

O impacto social e ambiental deste quadro é alarmante:

  • Embora não haja estatísticas específicas relacionando doenças e disposição final inadequada do lixo urbano, os números divulgados pelo Ministério da Saúde para internações decorrentes de doenças decorrentes das deficiências de saneamento ambiental, onde a má gestão do lixo urbano pode ser incluída, são alarmantes:



    Como se pode observar no quadro acima, o ano de 2002 mostra cerca de 630 mil internações por esta razão e números em ascensão desde o ano 2000.
  • O chorume liberado pelos lixões e aterros irregulares constitui-se na mais grave ameaça aos mananciais de água potável, agredindo, de forma  invisível, os aqüiferos.
  • O biogás liberado pelos lixões e aterros, composto por cerca de 50% de gás metano já concorre, no Município de São Paulo com os combustíveis, como a gasolina e o óleo diesel, no ranking de maiores fontes de  emissões de gases do efeito estufa, responsáveis pelo aquecimento global.

Há uma importante diferença entre as rotas de aproveitamento energético dos resíduos urbanos. Enquanto o tratamento térmico com geração de energia se apresenta como uma tecnologia ambientalmente correta de destinação final dos resíduos, a geração de energia a partir do biogás dos Aterros é, principalmente, uma forma de mitigar os efeitos negativos decorrentes das emissões de metano diretamente na atmosfera, durante todo o período de sua existência;  persiste a ameaça às reservas de água de potável .

Importante acrescentar que reação da população contra os aterros e lixões no Brasil, encampada pelo Ministério Público e pelas entidades de proteção ambiental, vem aumentando a distância entre os aterros e os geradores de resíduos, o que agrava ainda mais a questão do custo de destinação dos resíduos (transporte do lixo). Este problema não se verifica somente no Brasil. A cidade de  Nova Iorque, por exemplo,  envia o lixo que produz (cerca de 10 mil ton/dia) para aterros localizados a mais de 400 kms.

Uma pesquisa IBOPE/WWF-Brasil realizada em todas as regiões do País em 2006,  sobre a percepção e atitude dos brasileiros em relação aos problemas do meio ambiente.  Da pesquisa, destacamos a percepção espontânea de 10% da população de que o lixo é um dos nossos três principais problemas ambientais e que a poluição das águas, indicada por mais de 50% dos entrevistados como nosso principal problema,  é, em grande parte, causada pela destinação incorreta do lixo.

USINAVERDE S/A