Balanço Sócio-Ambiental

No Brasil, segundo o IBGE, praticamente 60 % dos resíduos sólidos urbanos, ou seja, cerca de 100 mil toneladas diárias de lixo urbano,  têm destinação final inadequada em lixões, aterros irregulares ou simplesmente lançados à céu aberto na natureza, em encostas, rios e lagos.

Examinando informações oficiais do IBGE observa-se que os impactos sociais e ambientais deste quadro são alarmantes:

  • Dos Aterros/Lixões existentes, 63% estão localizados próximos à Áreas agropecuárias,  18% próximos às residências e 7% próximos à APA’s.
  • 1548 Municípios informam que 24340 catadores (22% menores de 14 anos) atuam dentro dos Lixões em condições sub-humanas;  85% destes  Municípios  não realizam qualquer trabalho social com os catadores. 177 Municípios informam que 7264 pessoas (33% menores de 14 anos) moram dentro dos lixões.
  • Segundo o DATASUS, há mais de 630 mil casos por ano de internações por doenças decorrentes do saneamento ambiental inadequado, causadas, principalmente,  pela ingestão de água contaminada por esgoto e lixo disposto na natureza (diarréias, esquistossomose, leptospirose, hepatite A) e pela ação dos vetores (dengue, febre amarela, malária).
  • A coleta seletiva regular ocorre em menos de 10% dos Municípios brasileiros, atendendo menos de 20% da população destes municípios. Estima-se que mais de 300 mil pessoas dediquem-se regularmente à catação de materiais recicláveis nas ruas das Cidades brasileiras.
  • A localização dos Aterros e Lixões próximos às áreas residenciais, de exploração agropecuária e de áreas de proteção ambiental,  eleva o risco de contaminação das reservas de água potável pela ação do chorume (licor decorrente da degradação da matéria orgânica depositada nos aterros).

Até mesmo a parcela do lixo urbano cuja a destinação final é considerada adequada pelo IBGE  – 29% em aterros sanitários e aterros controlados – gera dúvidas no âmbito do próprio governo. Um relatório elaborado em 2002 pelo  Ministério das Cidades, diante dos números informados pelos Municípios e apresentados pelo IBGE afirma que podem ser ainda piores porque “ ...a diferenciação entre o que seja um aterro sanitário, um aterro controlado ou até mesmo um lixão não é reconhecida por vários segmentos sociais nem tampouco por alguns técnicos responsáveis pelos serviços nos municípios.”

Os cidadãos brasileiros, independentemente do nível social ou cultural, há algum tempo vêm  reagindo contra a implantação de novos aterros ou lixões em locais próximos às comunidades. Este posicionamento tem recebido o apoio do Ministério Público, que vem empreendendo ações fortes no sentido de que o executivo Municipal evite ou corrija as irregularidades verificadas nos depósitos de lixo, reduzindo, assim, a violenta agressão contra o meio ambiente e os recursos naturais.

Os impactos ambientais deste projeto estão relacionados principalmente ao tratamento térmico dos resíduos e às emissões de gases por eles emitidos. Os testes constantes que são realizados na Usina Modelo demonstram que o processo de melhoria contínua da tecnologia vem impactando positivamente no nível das emissões.

A comparação ambiental da solução USINAVERDE com a rota preferencial de destino final do lixo urbano adotada pela maioria dos Municípios brasileiros nos parece indiscutível:

  • A solução USINAVERDE é ambientalmente correta porque não gera o ‘chorume’ resultante da degradação natural da matéria orgânica nos lixões e aterros, e nem quaisquer outros efluentes líquidos (a lavagem de gases ocorre em circuito fechado), não poluindo nossas reservas de água potável;
  • A solução USINAVERDE é ambientalmente correta porque não emite gases tóxicos para atmosfera, que são retidos e mineralizados no processo. Além disso, reduz a emissão dos gases do efeito estufa ao evitar a formação/liberação do metano (cerca de 50% da composição biogás de aterro), que é considerado 21 vezes mais prejudicial do que CO2 para  o aquecimento global;
  • A solução USINAVERDE é ambientalmente correta porque não contribui com a proliferação de vetores, tão comuns em lixões e aterros irregulares.

Um dos principais aspectos sociais da implantação da solução tecnológica USINAVERDE é a criação de oportunidades de trabalho digno para pessoas de menor qualificação profissional, que hoje se empregam na catação de materiais recicláveis revirando lixo em aterros e lixões, muitas vezes  em condições de trabalho sub-humanas.

Em cada módulo de escala comercial (150 ton/dia de RSU) prevemos que estarão empregadas cerca de 50 pessoas nas atividades de segregação de recicláveis, organizadas em regime de cooperativa, e remuneradas com o resultado da venda dos materiais recicláveis. Estas pessoas executarão as tarefas de segregação de recicláveis em condições de segurança e higiene incomparáveis com as verificadas nos lixões, atuando em esteiras de catação, com todos os equipamentos de proteção imprescindíveis para este tipo de trabalho para que se evite a ocorrência de doenças ou acidentes (uniformes, luvas, botas, óculos, etc...).

Atualmente, a Usina Protótipo do CT USINAVERDE emprega 20 pessoas ligadas à COOPAMA, cooperativa formada numa comunidade do Rio de Janeiro.

Outro aspecto social importante é a redução do número de internações por doenças originadas por vetores que proliferam nos lixões e aterros irregulares e as provocadas pela contaminação das águas pelo chorume gerado a partir da degradação da matéria orgânica ali depositada. Como vimos anteriormente, os números já são alarmantes – 630.000 internações/ano – e, infelizmente,  são crescentes desde o ano 2000.

USINAVERDE S/A